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sábado, 8 de dezembro de 2012

Final alternativo



 Foram anos maravilhosos aqueles nossos primeiros, não? Todo aquele friozinho na barriga, borboletas no estômago e pernas bambas passaram a fazer parte da minha vida desde a primeira vez que eu te vi - e me apaixonei - por você. Aos dezesseis anos tudo é muito intenso e assim foi com a gente desde o começo!

Lembro de ficar contando os minutos para o fim das aulas,  não para ir para casa e dormir a tarde inteira, mas para te encontrar lá, na porta do colégio para ficar comigo enquanto o ônibus não chegava. Às vezes eu "perdia" um ou dois coletivos para prolongar mais aquele nosso tempinho juntos. Claro que isso gerava algumas broncas ao chegar em casa mas sinceramente, aquilo não importava. O crime compensava.

A primeira vez que você veio na minha casa foi, no mínimo, engraçado. Você estava todo travado, sério e morrendo de medo do meu pai, parecia um animalzinho preso numa armadilha! Ainda bem que logo você foi relaxando e percebeu que não havia perigo algum. E aos poucos, foi se tornando não só alguém "de casa", mas alguém da família!

No final do seu ensino médio, não gostei nada de você ter ido com a sua turma para aquela praia paradisíaca. Era insegurança, eu sei, mas a imagem de você rodeado por suas colegas de sala gostosonas me atormentaram durante todo aquele fim de semana! Roí todas as minhas unhas e não dormi direito naquelas duas noites. Mas no fim você voltou pra mim são e salvo e, ao que parecia, ainda mais apaixonado. Disse que sentiu minha falta e um dia voltaria àquele lugar, mas dessa vez comigo!

Na minha formatura do ensino médio, um ano depois, as lembranças são as mais doces! Quando subi no palco para pegar o meu diploma, te avistei em uma das poltronas, os olhos fixos e brilhantes de orgulho em mim! Depois que tirei todas as fotos com a turma e amigas você estava lá para me receber com um beijo mais que apaixonado! Me senti completa naquele momento, como num final dessas comédias românticas adolescentes.

Veio a faculdade e com ela alguns problemas. As provas, os novos colegas, as festinhas... tudo isso fez com que, algumas vezes, repensássemos se era aquilo mesmo que queríamos para nossas vidas. Foram muitas portas batidas, ligações não-atendidas, mensagens não respondidas, gritos e lágrimas. Uma época de nuvens naquela nossa tão ensolarada vida. Mas, como sempre dizem, o sol voltou a brilhar depois de toda àquela tempestade. E nós renascemos, ainda mais certos de que queríamos ficar juntos!

Veio o primeiro emprego (dos dois), o primeiro salário, as primeiras contas para pagar... e aos poucos fomos deixando aqueles dois adolescentes para trás. A vida adulta nos consumia mas estávamos sempre juntos! Tropeçando, caindo, levantando, amadurecendo, sempre tendo um ao outro como apoio.

Então, no dia exato em que completamos 8 anos juntos, você me levou àquela praia da sua viagem de formatura. Foi um dia perfeito! E se tornou mais inesquecível ainda quando, no fim da tarde, você, tendo o mar como testemunha, me pediu em casamento! Eu aceitei, lógico, e nós nos beijamos e ficamos abraçados até a noite cair completamente. Fazíamos planos para aquela nova fase da nossa vida que estava acabando de começar!

Hoje faríamos 8 anos juntos e isso tudo poderia ter acontecido se você não tivesse deixado o que tínhamos morrer anos atrás. Foi a sua escolha, a sua vontade e eu nada pude fazer em relação a isso. Superei de verdade nós dois, mas em dias como esse não consigo não pensar que nossa vida poderia ter sido assim como eu descrevi... Esse poderia ter sido o nosso final feliz, mas hoje é apenas um final alternativo, como aqueles que encontramos nos extras do DVD de um filme.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Mudar

  
  Tem uma música que diz que "a vida muda como o clima". Hoje, ao olhar para o céu e ver algumas nuvens se formando, pude perceber que isso é verdade. Ou pelo menos, queremos que seja.

  Ninguém consegue ficar com a vida estagnada por muito tempo. Todos, até aqueles aversos à grandes mudanças, não desejam que sua vida fique no marasmo, estacionada naquele mesmo lugar para sempre. É preciso crescer, evoluir, seguir em frente.

  Mudanças quase nunca são fáceis. Na maioria das vezes chegam e deixam tudo de penas para o ar. Eu costumo comparar isso a um tornado, um castelo de areia desmoronado, ou até mesmo como aquele grande nó que surge nos nossos fones de ouvido. Seja qual for a metáfora, a solução é sempre a mesma: encarar aquela situação e ir arrumando o que saiu do lugar, reconstruindo o castelo e, aos poucos, tentando desatar os nós.

  Mas no final de tudo vemos que estamos diferentes. Esse é o lado bom dessas viradas que a vida dá: nunca somos os mesmos depois delas! Aprendemos novas coisas, conhecemos outras e outros, descobrimos novos caminhos que jamais imaginaríamos. Crescemos e nos tornamos mais fortes!

  E novamente fazendo alusão ao clima: acredito que a vida seja como as quatro estações do ano. É preciso que o verão dê lugar ao outono, este ao inverno e assim sucessivamente. Para ninguém morrer por excesso de calor ou frio. Para manter o equilíbrio e deixar as coisas fluírem. E a vida acontecer.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Como consertar um coração partido

  
  Me veio essa música na cabeça agora. Eu estava lendo um dos inúmeros textos que tinha escrito para o meu ex-namorado constatando que, finalmente, aquelas emoções não mais me pertenciam. Pareciam de outra
 pessoa...
  Quem nunca teve um coração partido? Destroçado, estilhaçado em mil pedacinhos... e depois deixado lá ao relento completamente sozinho para se reestruturar sozinho. Sim, porque por mais que você tenha amigos maravilhosos, que escutem você falar a mesma coisa milhares de vezes, se recuperar de uma desilusão amorosa é uma coisa que só quem a sofreu pode fazer!
  E como é difícil! Parece que um furacão passou nas nossas vidas, deixando tudo de ponta a cabeça. O vazio bate, o chão não parece muito firme e tudo o que você quer é que tudo aquilo seja um sonho. Mas não é.     Encontrar uma maneira de lidar com tudo isso e acabar com essa sensação um grande desafio!
  Há aqueles que anestesiar a dor com porres homéricos! A bebida é nesse caso uma amiga, que faz esquecer todos os recentes acontecimentos e dá a ilusão de que está tudo bem. O problema está no dia seguinte quando, além da dor de cotovelo, você tem que lidar com a dor de cabeça fruto da ressaca.
  Outros tentam aplacar sua dor beijando quantas bocas for necessário. O lance "puramente físico" pode até ser bom para o corpo, mas será para a alma também? Será que a sensação de vazio desaparecerá após o fim do ato ou só aumentará depois?
  Não há fórmulas mágicas para curar a dor de amor. Mas há o maior clichê de todos: o tempo. Acredito que quando começamos a amar, o amor passa a ser o nosso norte. E quando o perdemos, uma parte de nós se perde também, ficamos sem rumo. E leva tempo para nos reencontramos novamente, para começarmos a sentir que somos nós mesmos de novo.
  Por isso, passe por todas as fases: coma os chocolates que quiser, escute músicas dor de cotovelo, escreva coisas que gostaria de dizer para ele (mas nunca entregue). Arrange força e ânimo para sair de casa, aproveite o dia lindo de sol, ou curta a chuva na sua casa vendo um filme. Cante e dance no seu quarto, na frente do espelho. Se arrume, se valorize. No começo é difícil, mas aos poucos você vai se encontrando e descobrindo o seu novo eu. Mas principalmente: não se culpe pelo fim! Certas coisas não são para ser e você vai descobrir isso a medida que o tempo for passando. A vida vai encarregar de encaixar tudo direitinho.
  E tempos depois, ao lembrar de todo aquele sofrimento, você vai se dar conta que todo aquele sentimento contido naquelas palavras finalmente se tornou história!