Por
que essa autocrítica tão grande? Por que essa sensação de que nada que eu faço
é bastante? Eu e esse meu eterno complexo de inferioridade... essa necessidade
constante de provar para mim mesma que eu sou capaz de alguma coisa. No fundo
eu sei que sou mas sempre vem aquela voz que nega, que diz que eu estou bem
abaixo dos outros, que um lugar ao sol é uma bela utopia.
Depois de tudo o que eu passei, tudo
o que eu aprendi nesses últimos anos, esse defeito ainda permanece. Maior do que
antes. E atrapalha, muito. Porque embaça a minha visão não me fazendo enxergar
a mim mesma com clareza. Eu sempre sou a última aos meus olhos. E é isso que
talvez faça eu realmente ser a última. Porque por mais que eu tente mudar esse
quadro eu sempre vou me ver assim.
Por enquanto o único meio de
amenizar isso é ouvindo dos outros que eu não sou inferior. Mas isso é ridículo
para uma pessoa que se diz autossuficiente. E é revoltante perceber de quem eu
mais quero ouvir isso. Droga! Minha vida não gira em torno dele! Não deve
girar! Eu to regredindo vários passos... isso é tão frustrante! Talvez esse
seja o principal motivo da minha revolta. Tudo sempre leva à ele, a raiz de
todos os meus males. E pior que ele não tem culpa nenhuma disso, não mais. A
culpa é minha, somente minha, por alimentar um mostro dentro de mim. Um monstro
que faz aumentar todos os meus outros monstros interiores.
Meu coração está tão pesado... eu
estou me sentindo tão fraca! E eu queria ser tão forte, queria poder carregar o
mundo nas costas mas eu não posso. Eu não consigo.
Eu preciso entender a minha própria
personalidade e parar de me guiar pelos outros. Cada um é cada um e é
diferente! E é isso que é o bonito, porque todos nós nos completamos. E ser
assim ou assado não quer dizer nada. Só que ás vezes eu me sinto tão errada no
meio de todo mundo. Como se eu tivesse medo. Medo do que vai ser, medo de
enfrentar as coisas de frente, medo que me virem as costas ou riam de mim. Um
medo triste que me impede de mostrar quem eu sou de verdade.

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