Páginas

terça-feira, 19 de maio de 2009

Desabafo II


   Por que essa autocrítica tão grande? Por que essa sensação de que nada que eu faço é bastante? Eu e esse meu eterno complexo de inferioridade... essa necessidade constante de provar para mim mesma que eu sou capaz de alguma coisa. No fundo eu sei que sou mas sempre vem aquela voz que nega, que diz que eu estou bem abaixo dos outros, que um lugar ao sol é uma bela utopia.

   Depois de tudo o que eu passei, tudo o que eu aprendi nesses últimos anos, esse defeito ainda permanece. Maior do que antes. E atrapalha, muito. Porque embaça a minha visão não me fazendo enxergar a mim mesma com clareza. Eu sempre sou a última aos meus olhos. E é isso que talvez faça eu realmente ser a última. Porque por mais que eu tente mudar esse quadro eu sempre vou me ver assim.

  Por enquanto o único meio de amenizar isso é ouvindo dos outros que eu não sou inferior. Mas isso é ridículo para uma pessoa que se diz autossuficiente. E é revoltante perceber de quem eu mais quero ouvir isso. Droga! Minha vida não gira em torno dele! Não deve girar! Eu to regredindo vários passos... isso é tão frustrante! Talvez esse seja o principal motivo da minha revolta. Tudo sempre leva à ele, a raiz de todos os meus males. E pior que ele não tem culpa nenhuma disso, não mais. A culpa é minha, somente minha, por alimentar um mostro dentro de mim. Um monstro que faz aumentar todos os meus outros monstros interiores.

  Meu coração está tão pesado... eu estou me sentindo tão fraca! E eu queria ser tão forte, queria poder carregar o mundo nas costas mas eu não posso. Eu não consigo.

  Eu preciso entender a minha própria personalidade e parar de me guiar pelos outros. Cada um é cada um e é diferente! E é isso que é o bonito, porque todos nós nos completamos. E ser assim ou assado não quer dizer nada. Só que ás vezes eu me sinto tão errada no meio de todo mundo. Como se eu tivesse medo. Medo do que vai ser, medo de enfrentar as coisas de frente, medo que me virem as costas ou riam de mim. Um medo triste que me impede de mostrar quem eu sou de verdade.

  Mas isso aos poucos está acabando.

sábado, 21 de março de 2009

Foto rasgada


As duas bocas que um dia se tocaram
São bocas que agora mal se falam
Os olhos que o amor fazia brilhar
São hoje uma sombra daquele mesmo olhar

Aquele curto tempo de alegria
É lembrado pela doce melodia
daquela canção
Que outrora acelerou aquele coração

A vida seguiu seu rumo
Tudo voltou ao seu prumo
O pranto secou
O coração finalmente se curou

Mas não esqueceu
Aquilo não morreu
Apenas dorme um sono profundo
E acorda toda vez
Que o seu mundo cruza o meu mundo